quinta-feira, 10 de junho de 2010

UM HOMEM (QUASE) FELIZ
II Reis 5.1-19
  “Ora, Naamã, chefe do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu senhor, e de muito respeito, porque por ele o Senhor dera livramento aos sírios; era homem valente, porém leproso”.  

    Naamã era um homem bem sucedido (era o chefe do exército do rei da Síria).
    Naamã era um homem que tinha seu talento reconhecido pelo próprio rei.

    Naamã era amado por seus soldados.

    Naamã gozava de muito conceito e respeito por todos do seu país.
   
Naamã era um homem abençoado por Deus (por meio dele, Deus dera livramento aos sírios).
   
Naamã tinha uma esposa que o amava e se preocupava com ele.
    Naamã era valente.

    Naamã era feliz?
Não! Naamã era um homem quase feliz.
   
Ele até que poderia ser muito feliz, mas havia um “porém”: Naamã era leproso.
   (Lembre-se que naquela época a lepra não tinha cura; privava o doente do convívio social e levava-o a uma morte diária, lenta, sofrida e solitária).     É exatamente assim que muitas pessoas se sentem.  Apesar de terem alcançado o sucesso profissional e familiar, apesar de gozarem do respeito de todos que o rodeiam, apesar de se sentirem pessoas abençoadas por Deus, apesar de serem valentes e lutadores, não são inteiramente felizes. Há sempre um “porém” que consume suas energias, privando-os da felicidade plena, levando-os a experimentar uma mortificação diária, lenta, sofrida e solitária.

    No entanto, Naamã encontrou a cura do seu mal e a felicidade plena.
 

UM HOMEM QUASE FELIZ
ENCONTRA A FELICIDADE!

    E nós, também podemos encontrar a nossa, se mantivermos as mesmas posturas que ele manteve:
1) NAAMÃ DEU OUVIDOS AO TESTEMUNHO DE UMA PESSOA SIMPLES. “Os sírios, numa das suas investidas, haviam levado presa, da terra de Israel, uma menina que ficou ao serviço da mulher de Naamã. Disse ela a sua senhora: Oxalá que o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samária! Pois este o curaria da sua lepra. Então Naamã foi notificar a seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a menina que é da terra de Israel. Respondeu o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel”.
 Naamã deu ouvidos às palavras de uma menina-escrava. Tanto acreditou que levou o assunto ao seu rei, que o autorizou a viajar para Israel e, ainda, se dispôs a escrever uma carta de recomendação ao rei de Israel.
Esta menina era muito simples; provavelmente, analfabeta. Mas, Naamã acreditou em suas palavras, pois ela falava de algo que conhecia pessoalmente lá da sua terra e não de alguma teoria que aprendera em bancos escolares.
    E nós, quantas vezes temos desprezado o testemunho vivo de alguém tão-somente porque se trata de uma pessoa simples? Será que poderíamos contar quantas vezes o patrão ou a patroa desprezou o testemunho de seus empregados cristãos? Será que teríamos condições de contabilizar quantas vezes o rico não deu ouvidos aos crentes pobres? Ou, quantas vezes o “doutor” desqualificou a palavra de fé das pessoas simples?
Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto?
    “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são; para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus” (I Coríntios 1.27-29).

2) NAAMÃ FOI BUSCAR AJUDA.      “Foi, pois...”.
Quando estamos enfrentando um problema sério na vida, especialmente doenças graves, incuráveis, ficamos como que anestesiados, tão grande é a desgraça que se abateu sobre nós e nossa família.
 “Não tem jeito! Não tem cura! Não tem saída!” Parece que o diagnóstico dos especialistas fica ecoando em nossa mente e nos deixa de mãos e alma amarradas.     Por mais certos que eles estejam, porém, sua perspectiva é puramente humana.
A Bíblia nos diz, por outro lado, que para Deus não existe a palavra IMPOSSÍVEL.
Naamã não se deixou abater com o diagnóstico dos médicos.
    Ele acreditou e tomou uma decisão, uma atitude de fé:
Foi, pois... buscar ajuda em Deus.
Muitas vezes até acreditamos no testemunho de fé das pessoas mais simples, mas ficamos paralisados diante da desgraça e não tomamos a decisão de nos levantarmos para buscar a face de Deus.
Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto?      “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” – Isaías 55.6.
     “Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” – Hebreus 4.16.

3) NAAMÃ SE HUMILHOU PERANTE DEUS. “... e levou consigo dez talentos de prata, e seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupa. Também levou... a carta... Veio, pois, Naamã com os seus cavalos, e com o seu carro, e parou à porta da casa de Eliseu. Então este lhe mandou um mensageiro, a dizer-lhe: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne tornará a ti, e ficarás purificado. Naamã, porém, indignado, retirou-se, dizendo: Eis que pensava eu: Certamente ele sairá a ter comigo, pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, passará a sua mão sobre o lugar, e curará o leproso. Não são, porventura, Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não poderia eu lavar-me neles, e ficar purificado? Assim se voltou e se retirou com indignação. Os seus servos, porém, chegaram-se a ele e lhe falaram, dizendo: Meu pai, se o profeta te houvesse indicado alguma coisa difícil, porventura não a terias cumprido? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado. Desceu ele, pois, e mergulhou-se no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne dum menino, e ficou purificado”.
Naamã trouxe seu ouro e sua prata: símbolos da sua riqueza pessoal.
     Naamã trouxe dez mudas de roupas finíssimas: símbolos do seu bom gosto.

    Naamã trouxe uma carta de recomendação do rei da Síria: símbolo do seu prestígio.
 Porém, Naamã trouxe também a altivez, o orgulho dentro do seu coração.
 O texto bíblico declara que Naamã esperava que o profeta de Deus viesse recebê-lo à porta – quem sabe – com um tapete vermelho, impressionado com sua riqueza, bom gosto e prestígio e faria um ritual elaborado diante dele, pelo qual estaria disposto a pagar muito bem (se resolvesse o seu problema, é claro).
 Mas, Deus é sábio e resolveu quebrar o orgulho de Naamã por meio do profeta, que, além de nem sair pra fora para ver “o importante general sírio”, enviou um moleque de recado para lhe ordenar que se banhasse sete vezes no barrento Rio Jordão.
 Naamã se revoltou. Revelou o orgulho que havia em seu coração e negou-se a cumprir a ordem do profeta. Não fossem seus soldados a convencê-lo a obedecer, Naamã teria voltado para a Síria exatamente do mesmo jeito que de lá viera. Mas seus soldados o amavam (até chamavam-no de “pai”) e insistiram com ele, e ele cedeu.
 Mesmo contrafeito, tomou o banho da humilhação sete vezes (o número sete é o número-símbolo daquilo que é perfeito ou completo – isto significa que Naamã foi completamente humilhado diante dos seus soldados). Quando Deus viu que Naamã se humilhou, restaurou a sua saúde!
 Quantas vezes nos aproximamos de Deus tentando impressioná-lo com nossa “riqueza pessoal”, com nossas palavras bem elaboradas e com nosso prestígio? Mas Deus não se impressiona com nada destas coisas que nós consideramos importantes, antes, decide humilhar-nos, para que entendamos que qualquer ação Dele em nossa vida é graça, e não mérito humano.
 Quantas pessoas já voltaram para casa sem a benção divina porque não quiseram se humilhar diante de Deus? Talvez tenha se negado a ir à frente para receber a oração ou para admitir publicamente a sua miséria e infelicidade; ou, então, revoltaram-se contra alguma orientação de um homem de Deus.
Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto?      “Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado” – Mateus 23.12.       “Deus resiste aos soberbos; porém, dá graça aos humildes” – Tiago 4.6.   

4) NAAMÃ CONVERTEU-SE NUM VERDADEIRO ADORADOR. “Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva; chegando, pôs-se diante dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel; agora, pois, peço-te que do teu servo recebas um presente. Ele, porém, respondeu: Vive o Senhor, em cuja presença estou, que não o receberei. Naamã instou com ele para que o tomasse; mas ele recusou. Ao que disse Naamã: Seja assim; contudo dê-se a este teu servo terra que baste para carregar duas mulas; porque nunca mais oferecerá este teu servo holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão ao Senhor”.
Deus impôs a humilhação a Naamã com um propósito: revelar-se a ele.
A cura divina restaurou não apenas o físico de Naamã, mas também sua alma.
Seu corpo foi curado, sim, mas sua visão acerca das coisas espirituais foi totalmente aberta; agora ele sabe que só há um Deus verdadeiro em todo o mundo, o Deus de Israel.
A quantos falsos deuses será que Naamã já havia implorado cura? Somente o Deus verdadeiro supriu sua maior necessidade!
 Todo o ouro, prata e presentes que ele trouxe quer agora dar ao profeta, não para comprá-lo ou impressioná-lo, mas como uma legítima expressão de gratidão por aquilo que Deus fez em sua vida através daquele homem.
(O profeta de Deus não aceita, pois os verdadeiros homens de Deus não se prevalecem destes momentos para arrancar dinheiro ou presentes das pessoas).
Naamã pede, então, para carregar duas mulas com terra. Sim, terra! Quatro sacos de terra. Porque? Para colocar num cantinho de sua casa e ali, sobre aquela pequena porção da terra de Israel, adorar ao Deus verdadeiro. É meio esquisito, é claro, mas foi sua forma simples de expressar que a partir daquele momento ele seria um verdadeiro adorador do Deus de Israel e que nunca mais iria adorar ou oferecer sacrifícios a outros deuses.
Quando Deus abençoa alguém, Sua benção sempre quer ir além daquilo que a pessoa pediu. Junto com a graça solicitada, Deus quer salvar a alma daquela pessoa, por meio da fé em seu único filho, Jesus Cristo.
Infelizmente, muitos que um dia foram curados e abençoados por Deus irão para o inferno, pois rejeitaram um compromisso mais sério com Ele. Querem tão-somente se livrar do sofrimento e voltar o quanto antes ao seu velho estilo de vida.
    Querem a benção, mas rejeitam o Abençoador.
Foi assim com os 10 leprosos que Jesus curou de uma só vez: somente um voltou para agradecer.
Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto?     “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3.16.     “... eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, pois o que nela se gerou é do Espírito Santo; ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” – Mateus 1.20-21.     “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adoração o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” – João 4.23.

5) NAAMÃ REAVALIOU SEUS CONCEITOS. “Nisto perdoe o Senhor ao teu servo: Quando meu amo entrar na casa de Rimom para ali adorar, e ele se apoiar na minha mão, e eu também me tenha de encurvar na casa de Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisto perdoe o Senhor ao teu servo. Eliseu lhe disse: Vai em paz”.
Tão logo Naamã declarou que nunca mais iria adorar ou oferecer sacrifícios a outros deuses, senão ao Deus verdadeiro, se lembrou que o seu senhor, o rei da Síria, quando entrava no templo do deus Rimom (um deus sírio), gostava de se apoiar na sua mão e ele, Naamã, por respeito ao seu senhor e no cumprimento de seus deveres, também tinha que se encurvar diante da estátua daquele falso deus.
    Agora ele sabe que isto é errado e pede perdão a Deus.
 

    Foi seu primeiro conflito espiritual; sua primeira reavaliação de seus atos e estilo de vida.
Esta é a marca mais legítima daqueles que de fato tiveram uma experiência real e transformadora com Deus: uma total e completa reavaliação de todas as suas atitudes, de toda a sua filosofia de vida e de todas as suas crenças e posturas.
    Tais pessoas querem agora viver de maneira tal que agrade ao Deus verdadeiro.
E quanto a nós? Nossas “experiências” com Deus ou com seu poder têm nos levado a uma tão grande reflexão? Ou, levianamente, continuamos a viver nossas vidinhas do mesmo jeito que antes?
Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto?     “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” – II Coríntios 17.17.     “Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscências, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíes nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois já vos despistes do homem velho com seus feitos e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” – Colossenses 3.5-10.
   
Conclusão  
Naamã voltou para casa curado, mas também transformado.
Com foi que isto aconteceu? Como um homem quase feliz encontrou a felicidade?

a) Ele deu ouvidos ao testemunho de uma pessoa simples;
b)
Ele foi buscar ajuda em Deus;
c)
 Ele se humilhou diante de Deus;
d)
Ele se converteu num verdadeiro adorador;
e)
 Ele reavaliou os seus conceitos.

Façamos o mesmo!

UM HOMEM QUASE FELIZ ENCONTRA A FELICIDADE!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"Como pastor, apascentará o seu rebanho;
entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio;
as que amamentam ele guiará mansamente." Isaias 40:11
"Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei;
e em Jerusalém vós sereis consolados. "
Isaias 66:13
Deus é Espírito, e não tem corpo como os homens... Deus é assexuado (=não tem sexo)
Aprouve a Deus revelar-se a nós como um ser masculino,
mas há também em Deus qualidades humanamente classificadas de femininas,
como os exemplos dos textos acima.

Não há na terra melhor exemplo para ilustrar o amor de Deus, do que o amor de mãe!
Sem dúvida, o amor de mãe é um tipo do amor de Deus!
Deus gera seus filhos - A mãe também gera seus filhos
Deus coloca seus filhos em seu seio - A mãe também coloca seus filhos em seu seio
Deus amamenta (ele dá o leite espiritual aos recém-nascidos espirituais)
- A mãe também amamenta seus filhos

Deus dá também alimento sólido aos filhos já desmamados
- A mãe também dá comida consistente aos filhos já crescidos
Deus toma seus filhos pela mão - A mãe também toma seus filhos pela mão
Deus guia seus filhos - A mãe também guia seus filhos
Deus consola seus filhos - A mãe também consola seus filhos ( Is 66:13 )
Deus ama seus filhos com amor incondicional - A mãe também
Deus ama seus filhos com amor eterno - O amor de mãe também é para sempre

Deus ama seus filhos, antes mesmo do nascimento
- Também a mãe ama o filho desde antes dele nascer
Deus, na pessoa do seu Filho, dá a vida pelos seus filhos
- A mãe também é capaz de dar a vida pelo seu filho
A vontade de Deus para com os seus filhos é boa, agradável e perfeita

- A vontade da mãe para
com os seus filhos também é boa, agradável, e perfeita (= é o melhor!)
Deus deseja ter os seus filhos sempre perto dele - a mãe também!(todos os créditos para o blog do pastor)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Abuso Espiritual  - Parte 1
 
O Problema dos Pastores Profissionais


Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo – Efésios 5:21.
Julgai todas as coisas, retende o que é bom, abstende-vos de toda forma de mal – I Tessalonicenses 5:21/22
Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede - João 6:35.
Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão – Gálatas 5:1.
Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor – Gálatas 5:13.
Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória – I Pedro 5:1/4.
Atenção: O material a seguir destina-se à leitura de pessoas maduras e pode ser profundamente perturbador à grande maioria dos leitores. O autor recomenda grande discrição no uso deste material e na exposição do mesmo.
INTRODUÇÃO
Os discípulos do Senhor Jesus, felizmente, eram como todos nós. Isto quer dizer que eram pecadores e falhos como todos nós somos. Nos dias do Antigo Testamento o Salmista se refere ao Deus de Jacó como uma maneira de nos consolar em meio às nossas fraquezas quando diz: Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no SENHOR, seu Deus - Salmo 146:5 . A expressão “Deus de Jacó” é uma referência clara ao fato de que Deus está acostumado a lidar com pessoas pecadoras e contraditórias como Jacó e como qualquer um de nós. Bendito seja Deus, o Senhor, que nos ama apesar de sermos o que somos. Mas como falamos no início, os próprios apóstolos do Senhor Jesus não eram diferentes de cada um de nós. Como tal estavam sujeitos às mesmas tentações e desvios de conduta que ameaçam a vida de qualquer um de nós. O registro dos Evangelhos está cheio de circunstância onde o Senhor precisou agir com firmeza para corrigir estas situações anômalas na vida dos Seus discípulos e apóstolos. Uma destas circunstâncias é aquela que trata do pedido de Tiago e João e da mãe deles, que havia decidido agir como se fosse uma verdadeira empresária dos próprios filhos. O pedido em questão, feito ao Senhor Jesus, era o seguinte: Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor. Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda – Mateus 20:20/21.
O pedido de Tiago e João visava satisfazer a uma das necessidades mais básicas que existem em todos os seres humanos que é ter autoridade sobre outros que são seus iguais! Este é um sério problema dos seres humanos: o desejo de quererem ser “mais” iguais que os outros. É óbvio que os outros discípulos, sendo também humanos, não aplaudiram o pedido feito por Tiago e João. E por que não? Porque cada um dos outros dez discípulos desejava ocupar, ele mesmo, um daqueles lugares à direita e à esquerda do Senhor Jesus, no Seu reino glorioso. De fato o texto bíblico diz que os dez ficaram indignados com os dois irmãos – ver Mateus 20:24. O Senhor Jesus tratou com bastante firmeza aquela situação, procurando mostrar aos discípulos que as regras que deveriam existir entre eles eram diversas das regras que existiam entre as pessoas que não são discípulos de Jesus. Ele disse: Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos. Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos – Mateus 20:24/28.
O princípio que o Senhor Jesus quis ensinar era bastante necessário e urgente naquele momento. A saúde da futura Igreja Cristã iria depender, em parte, da obediência às palavras de Jesus acima mencionadas. Um dos aspectos do verdadeiro Cristianismo que mais encanta este autor é o fato de que nosso Deus e Senhor é sempre nosso exemplo naquilo que demanda de nós. Isto é verdade com relação ao ensino acerca de como se tornar realmente grande entre o povo de Deus. Quando o Senhor Jesus confrontou Seus discípulos, mostrando-lhes como a conduta deles precisava ser diferente do exemplo que viam na humanidade em geral, emendou dizendo que esta havia sido a atitude ou exemplo que estavam recebendo d’Ele. Em outras palavras, Jesus disse aos discípulos que eles pertenciam a uma comunidade de pessoas que eram rigorosamente iguais e que não deveria existir nenhum tipo de interesse dominador por parte de uns sobre os outros como estava implícito no pedido de Tiago e João. O serviço cristão praticado de uns para com os outros produz apenas o bem ao passo que o desejo de dominar sobre outros conduz irremediavelmente a partidarismos, contendas, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas bem como a abusos de toda sorte – ver Gálatas 5:19/21.
Cerca de dois mil anos se passaram desde que o Senhor Jesus ensinou estas verdades. Independente deste fato é com grande pesar que constatamos nos nossos dias, que ainda temos um longo caminho a percorrer quando o assunto é servir uns aos outros como um mandamento que deve valer indistintamente para todos aqueles sobre os quais o bom nome do Senhor foi invocado. Temos observado, com grande tristeza, inúmeros abusos que estão ocorrendo no seio da Cristandade (2) em geral bem como no seio do Cristianismo em particular. Estes abusos têm causado inúmeros males ao corpo de Cristo, que é Sua Igreja, além de destruir por completo inúmeras vidas. Muitos destes que foram abusados perderam a fé e alguns até se tornaram inimigos da fé cristã como conseqüência direta dos abusos que sofreram. É intenção do autor discutir tão delicado assunto visando contribuir para que de alguma maneira possamos seguir no caminho do serviço em vez do caminho do autoritarismo e do abuso espiritual. Nesta questão envolvendo abuso espiritual temos descoberto que não existem inocentes. Lideranças (3) e liderados (4) são igualmente responsáveis pelo descalabro que podemos observar e igualmente culpados pelos males praticados.
A. Liderança como Serviço e não como Senhorio.
1. A Tênue Linha que Separa o Serviço do Senhorio.
Conforme vimos o Senhor Jesus advertiu severamente seus discípulos contra o desejo de se tornarem senhores uns sobre os outros e podemos dizer, por extensão, de se tornarem senhores sobre o povo de Deus. Existe uma linha muito fina entre serviço e senhorio, entre discipulado e dominação. O que temos notado é que em muitos casos a linha se torna tão tênue que é mesmo impossível distinguir onde o primeiro terminou e o segundo começou. A grande maioria das lideranças com as quais convivemos, têm cruzado esta linha sem muita cerimônia e não escondem seu aborrecimento quando confrontadas pelos fatos. Em um próximo artigo falaremos do poderoso arsenal ao qual costumam recorrer para se defender. Não estamos querendo colocar todo mundo dentro de um mesmo saco e por este motivo é importante que mencionemos que existem líderes sensíveis a esta tênue linha e que procuram manter uma posição equilibrada com relação à mesma. Outros há que transgridem o limite, mas se arrependem e voltam ao bom senso representado pelo serviço cristão. Outros há, por fim, que não sabem funcionar se não estiverem completamente do outro lado da linha como senhores absolutos sobre o povo de Deus. Infelizmente, nos nossos dias, este último tipo tem sido bem mais freqüente do que gostaríamos de ver.
 
2. A Questão Representada pela Existência dos “Servos” Profissionais.
 
Outra questão importante para a nossa discussão é a profissionalização da liderança, especialmente, da liderança pastoral. Todos os pastores, sejam de tempo integral, sejam de tempo parcial, sabem que seu sustento e o de suas famílias dependem diretamente das comunidades locais que estão pastoreando. E esta não é uma questão periférica. Muito pelo contrário é uma questão central. Muitos pastores cruzam a linha mencionada no item anterior motivados e movidos por recompensas financeiras e ambição pessoal. Assim continua verdadeiro o princípio mencionado pelo apóstolo Paulo de que o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores – I Timóteo 6:10. Nos últimos anos temos podido notar um número cada vez maior de “servos” profissionais que têm usado o povo de Deus para construir seus pequenos impérios que incluem, entre outras coisas, residências em diversas cidade e países, automóveis, móveis e roupas de luxo, canais de televisão e estações de rádio etc. Estes verdadeiros “senhores”quando confrontados com a dura realidade representada pela Palavra de Deus, muito dificilmente se arrependem, preferindo lançar mão de um poderoso arsenal, que na realidade não passa de um grande besteirol, para justificar seus desmandos.
3. Tanto faz mentor ou tutor, o exemplo vem sempre de cima.
Esta parece ser uma das mais inflexíveis leis na História da Humanidade. O exemplo vem sempre de cima, ou seja, o exemplo estabelecido pela liderança será sempre imitado e servirá de inspiração e motivação para quem está mais em baixo. Se o exemplo for ruim, então as conseqüências serão verdadeiramente devastadoras. Nos dias de hoje é bastante comum, pastores se espelharem nos métodos e na forma de agir daqueles que podem ser percebidos como sendo bem sucedidos. Por sucesso, neste contexto, não estamos nos referindo à fidelidade à palavra de Deus como proposto pelo apóstolo Paulo em I Coríntios 4:2 e sim ao sucesso como percebido pelo mundo e que pode ser medido em números. Fidelidade, como bem sabemos, não é mensurável em números. É necessário que tanto quem lidera quanto quem é liderado seja fiel à revelação bíblica. Este fato, por si só, seria um poderoso antídoto contra todo o veneno que tem sido disseminado no corpo de Cristo, no que diz respeito aos maus exemplos que estão sendo estabelecidos e seguidos. O ensino das Escrituras é claro quanto à responsabilidade de todos os crentes de julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de forma de mal – I Tessalonicenses 5:21/22.

4. Nobreza ou rebelião?
 
O médico Lucas, que nos legou o Evangelho que leva seu nome, também nos deixou um segundo tratado. Estamos falando do Livro dos Atos dos Apóstolos. Neste livro, no capítulo 17, Lucas descreve, entre outras coisas, a visita que Paulo, Silas e o próprio Lucas fizeram às cidades de Tessalônica e Beréia. De acordo com o texto Bíblico a atitude dos bereanos causou profunda impressão nos visitantes. Nas próprias palavras de Lucas os de Beréia, eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim – Atos 17:11.
Nos dias de hoje qualquer um que tente imitar o bom exemplo que nos foi deixado pelos bereanos será rigorosamente tachado de “rebelde”. A atitude inquisitiva que procura confirmar se certas práticas são mesmo bíblicas é definida como rebelião com o acusado sujeito a sofrer grandes abusos por parte da liderança questionada. Este tipo de abuso ocorre em duas frentes. A primeira é quando o líder usa as Escrituras de forma abusiva para ensinar ou justificar práticas que não se sustentam diante de uma análise mais apropriada. Neste caso não importa o que a Bíblia ensina e sim a interpretação particular que foi fornecida pelo líder A segunda ocorre quando o líder ignora por completo a Bíblia e parte para ensinar algo que nem de longe poderia ser justificado pelo ensino das Escrituras. A falta de discernimento e de uma atitude mais positiva, à moda bereana, por parte dos liderados é o elemento singular que mais contribui para que este tipo de abuso espiritual ocorra no seio da Igreja Cristã.
 
5. O que se exige e o que se permite.
 
Outro problema que existe no contexto das relações entre liderança e liderados diz respeito às exigências que pesam sobre a liderança, exigências estas feitas pelo Senhor da Igreja e pela Sua palavra e aquilo que lhes é permitido pelas comunidades às quais ministram. Aquilo que os líderes deveriam estar fazendo e ensinando de acordo com as Escrituras e aquilo que eles estão fazendo na prática normalmente não se encaixam. O grande dilema enfrentado pelos pastores é a enorme inconsistência que enfrentam entre o que Deus demanda e o que as comunidades estão dispostas a tolerar. Como os líderes são normalmente eleitos e sustentados pelas comunidades nas quais atuam este dilema torna-se o mais agudo.

Conclusão.
 
O surgimento de “servos” profissionais produziu no seio da cristandade uma série de fatores que têm feito com que muitos líderes, alguns até bem-intencionados, cruzem a tênue linha que existe entre um ministério legítimo de um completamente ilegítimo. Estes “servos”, em vez de servir, acabam por substituir o verdadeiro discipulado por uma dominação que nada tem de cristã. Em vez de liderar pelo exemplo se tornam “senhores” sobre o rebanho de Deus que, diga-se de passagem, não lhes pertence.


B. Redefinindo certos Termos.

Uma das características mais marcantes dos líderes que praticam o abuso espiritual é a insistência em redefinir certos termos. Palavras acerca das quais estávamos absolutamente certos de conhecermos o significado, de forma precisa, são manipuladas a um nível que as tornam irreconhecíveis. A manipulação é tão extensa e profissional que chegamos a duvidar se alguma vez entendemos, realmente, o significado de certas palavras.

1. Autoridade.

Não existe no seio da cristandade nenhuma outra palavra que seja mais abusada pelos abusadores espirituais do que a palavra autoridade. O ensino bíblico é bastante claro nas afirmativas que faz de que autoridade significa poder exercido de maneira apropriada – ver Mateus 9:6; João 1:12; João 10:17/18 e João 17:2 etc. Por este motivo, todo exercício de poder de maneira imprópria, não é exercício de autoridade e sim de abuso espiritual. Como esta questão é bastante sutil é mais fácil indicar situações onde existe abuso espiritual, ou seja, onde o poder é exercido de maneira não apropriada, do que discutirmos as questões genuinamente semânticas relacionadas a este termo. Líderes acostumados a abusar espiritualmente das pessoas confiadas à sua guarda poderão manifestar as seguintes características:
Estender a autoridade da liderança a áreas da vida que ultrapassam os limites representados por questões morais e de valores apresentados na Bíblia. Um exemplo clássico é quando a liderança quer determinar com quem uma pessoa pode namorar e até casar. Outro aspecto tem a ver com interferências acerca de que profissão seguir e etc.
Impor sanções quando não houver submissão ao item anterior.
Promover um sentimento de culpa generalizado quando não existir conformação automática aos desejos manifestos da liderança.
Rotular as pessoas que resistem serem manipuladas de: insubmissos, orgulhosos, corações endurecidos etc.
Agir como se fosse o próprio Deus na vida das pessoas.
Manipular e torcer a palavra de Deus para conformá-la aos desejos da liderança.
Confrontar de maneira permanente o pecado na vida de todas as pessoas. Quanta hipocrisia pode existir nesta prática é simplesmente impossível de dizer.
Ensinar que as pessoas devem ser julgadas pelas opiniões que possuem acerca da liderança.
Ensinar que não existe verdadeiro discipulado fora do redil em que a pessoa se encontra.
Ensinar que Jesus não é mais todo suficiente – ver João 6:35 - e que é necessário seguir as muitas invencionices, nenhuma delas bíblica, diga-se de passagem, que impõe sobre as pessoas.
Ensinar que inúmeras coisas são pecaminosas quando a própria Bíblia nada diz diretamente acerca destes mesmos assuntos.
Ensinar que ser um verdadeiro seguidor de Jesus significa colocar a vontade de outro, normalmente a vontade do próprio líder, acima da própria vontade.
Transmitir a sensação de que a pessoa está realmente afundando na fé quando ela começa a considerar abandonar o redil em que se encontra.
Fazer com que pessoas rejeitem promoções no serviço, mudança de cidades ou novas oportunidades apenas para se manterem onde estão em completa submissão à liderança.
Torcer de maneira perversa o uso de palavras como obediência e submissão.
Se o leitor se encontra em um ambiente onde qualquer uma destas características está presente, é necessário tomar muito cuidado, pois o perigo de estar sendo abusado espiritualmente é bastante real.

2. Independente.
 
Um teste simples talvez seja a melhor maneira de entendermos como esta palavra tem sido redefinida. Faça o seguinte: escreva no centro de uma folha de papel a palavra “independente”. Depois, escreva outras palavras que lhe vêm à mente e que estejam relacionadas com independente. Terminada esta fase, analise francamente se a palavra “independente” bem como as outras palavras anotadas descrevem alguém de forma positiva ou negativa. Quais são as características de uma pessoa realmente independente. Agora, procure ver o termo independente ou livre, à luz de Gálatas 5:1/13, nomeadamente os versículos 1 e 13. Ser independente significa que temos a liberdade de vivermos não como queremos e sim como devemos. Mas este modo de vida é muito imprevisível para os dominadores. Eles preferem estabelecer regras fixas e rígidas para seus seguidores. Nenhuma independência ou liberdade como ensinada na Bíblia serão toleradas. Na Bíblia, independência e pecaminosidade não mantêm nenhuma relação direta. Paulo era bastante independente por um lado e completamente dependente de Deus por outro.

3. Obediência e submissão.
 
Estas palavras são verdadeiras “pedras-de-toque” no jargão dos abusadores. Obediência cega e submissão inquestionável à liderança são as maiores características dos discípulos na opinião da liderança religiosa abusadora. Amor, fé e esperança são secundários, apesar da Bíblia nos ensinar exatamente o contrário!
 

C. Autocracia na Igreja.
 
O termo autocracia não é usado nesta divisão de forma equivocada como alguns poderão pensar. Infelizmente nossa experiência nos tem mostrado que existem muitos líderes autocráticos nas igrejas cristãs, independente da denominação. A expressão “autocracia” é definida pelo dicionário Aurélio Século XXI como: “Governo de um príncipe, com poderes ilimitados e absolutos”. É realmente uma pena que no meio cristão existam tantos líderes “governando” a igreja desta maneira. Para a grande maioria deste tipo de líderes os irmãos e as irmãs são completamente insignificantes. Bem, como toda regra tem sua exceção, os irmãos e irmãs são importantes somente em um único momento: na hora de contribuir. De acordo com um velho amigo, a maioria das igrejas modernas concedem aos seus membros estes dois direitos inalienáveis:
Pagar as contas. Todas as contas, inclusive os salários daqueles que são abusadores.
Calar a boca. Ou ficar de boca fechada mesmo diante dos maiores descalabros imagináveis.
O governo autocrático ocorre todas as vezes que um determinado grupo, que pode ser chamado de diretoria, conselho, presbitério etc, passa a controlar, com mão de ferro os meios de disciplina. Este controle, diga-se de passagem, é exercido de modo cabal. Nenhum tipo de “má conduta” pode ser nem será tolerado de fato. Toda e qualquer resistência será sumariamente fulminada. A Bíblia e o bom senso cristão submetido ao Espírito Santo são ignorados por completo. O que vale são os interesses do grupo no poder. Qualquer ameaça, seja real ou apenas imaginária é confrontada com toda a força possível, de tal maneira que não reste a menor dúvida acerca de “quem manda”. A sensação de impunidade destes indivíduos beira realmente ao absurdo. São verdadeiros “sacripantas” (5). Mas, como é que tanta barbaridade tem sido cometida no seio de igrejas cristãs? Como é possível que estas formas abusivas de pensamentos e ações permaneçam e sejam justificadas? A resposta a estas perguntas não é realmente muito complexa. O poder é criado e mantido através de um artifício muito simples. Este artifício constitui em sacralizar - atribuir caráter de sagrado - a certas formas de pensamento e de comportamento que privilegiam a classe dominante como se ela fosse melhor ou mais próxima de Deus do que o resto dos cristãos. Levantar-se contra a casta dominante torna-se sinônimo de levantar-se contra o próprio Deus. E isto, meu caro leitor, não pode ser tolerado em nenhuma hipótese. Estes privilégios são, por sua vez, preservados e garantidos mediante o estabelecimento e o controle de mecanismos institucionais que agem e reagem de forma absolutamente “sem misericórdia e sem perdão”, contra toda e qualquer forma de pensamento ou comportamento que não se conforma com o que a autocracia espera ou deseja.
A autocracia é real e suas ações são devastadoras para dizer o mínimo.
Não existe solução alternativa para os abusados que não seja a de sair da instituição e expressar o profundo desprezo que sentem por estes senhores de quinta categoria.


(1) Todas as citações bíblicas neste artigo são da versão de Almeida Revista e Atualizada (ARA) publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil a menos que outra tradução seja indicada.
(2) O autor chamará de “Cristandade” esta religião falsa, espalhada pelo mundo, que se auto-intitula de cristã. Mesmo não gostando do termo “Cristianismo”, pelo reducionismo ideológico que ele causa, o mesmo será usado para se referir à verdadeira igreja cristã espalhada pelo mundo.
(3) O termo “liderança” será usado neste estudo para descrever aqueles que se intitulam, por exemplo, como Apóstolos, Reverendos, Pastores, Bispos, Anciãos, Presbíteros, Diáconos, Ministros do Evangelho, membros da Diretoria ou membros do Conselho etc.
(4) O termo “liderados” define neste estudo, todos aqueles que não se enquadram nos pomposos títulos da nota de número 3.
(5) É com grande pesar que o autor constata que nossos líderes religiosos, independente de se denominarem pastores, presbíteros, diáconos, anciãos, diretores etc, se parecem em demasia mais com o personagem Sacripante, que era pessoa de índole violenta, mau caráter e falsamente piedosa, e que é descrito no poema Orlando Innamorato, de Matteo-Maria Boiardo (1434-1494), e no poema Orlando Furioso, de Luigi Ariosto (1474-1533).

Alexandros Meimaridis
São Paulo – Brasil – Fevereiro de 2007

segunda-feira, 7 de junho de 2010


Aquele irmão safado (OC)


Jesus contou muitas estórias para, através delas, ilustrar e tornar mais claros os Seus ensinos. Uma das mais conhecidas é a chamada parábola do filho pródigo (título que não vem no original e é, portanto, arbitrário). Ora, nesta estória, Jesus destaca um tema. Esse tema é a ALEGRIA. Aliás, esta é a última de uma série de três estórias sobre este mesmo tema. As anteriores são as da ovelha e da moeda perdidas. Assim lemos já, em Lucas 15:10 Assim vos digo que há alegria, diante dos anjos de Deus, por um pecador que se arrepende.

Nesta estória, a do filho perdido, que é bem conhecida, como já referi, e me escuso de descrevê-la, quando aquele jovem arrependido voltou ao lar, o pai recebeu-o de braços abertos: vestiu-o, calçou-o, deu-lhe um anel e disse: ... e trazei o bezerro cevado e matai-o; e comamos e alegremo-nos; porque este meu filho estava morto e reviveu, tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se. Lucas 15:23/24. Mais tarde, esta ideia é reforçada quando o pai afirmou: ... mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos... (vr.32).

Quem não se alegrou foi o outro filho. Considerava-se melhor que o seu irmão. Considerava-se bem comportado. No entanto era invejoso, vaidoso da sua conduta, mostrando-se ressentido e sem pingo de amor fraternal. (vr.28/30). Comparando-o com o irmão aventureiro, esbanjador e dissoluto, qual o pior de ambos? Não sei. É que há pecadores, que são pecadores porque pecam. E há pecadores, que são pecadores porque julgam que não são pecadores.

Aquele irmão caseiro e “cumpridor” era parecido com os fariseus fundamentalistas, conservadores, ciosos de si mesmos, julgando-se superiores aos outros. Hipócritas lhes chamou Jesus, condenando-os severamente, como pode ler-se em Mateus 23.

Ah, como eu gosto deste Jesus tão positivamente subversivo, inovador, frontal e, relativamente à religião, obviamente marginal! Tão distante e distinto dos religiosos (escribas e fariseus de então... e de hoje!) tradicionalistas, literalistas, legalistas, puritanos, pietistas. Por ser diferente deles, e por denunciá-los, Jesus foi odiado pelos tais, foi rejeitado e perseguido. Diziam que Ele era comilão e beberrão, amigo de publicanos e de mulheres da má vida, transgressor da lei sagrada do Sábado, e do jejum Marcos 2:18/22, Marcos 3:1/4, Marcos 7:1/22 além de outros cerimoniais.

Mas Jesus trouxe ALEGRIA! A alegria, nomeadamente, nesta estória, quando alguém cai em si e muda de vida Lucas 15:17/24.

Mas ainda há tantos cristãos tristonhos, inibidos, recalcados, preconceituosos. Cristãos que não gostam de festas, não gostam de cantar, de dançar, de comer e beber e folgar, não gostam de conviver! Não são nada como Jesus foi. Nem como ele ensinou através deste estória. Que pena!
                                              
O CORAÇÃO DO REI ESTÁ NAS MÃOS DE DEUS
    O Brasil não é mais governado por príncipes e reis, contudo, em cada canto da nossa vida, seja no lar, na escola, na igreja, na empresa, na comunidade, nos tribunais, etc., sempre haverá alguém com o poder de decisão sobre assuntos que nos interessam e que nos afetam de alguma forma. São os “reis” daquela situação ou daquele contexto.
    Para eles, muitas vezes não faz a menor diferença dizer um “sim” ou um “não”, mas, para nós, certamente o faz.
   Assim como a maioria dos reis da antiguidade, muitas destas pessoas não têm critérios bem definidos e suas decisões dependem muito mais do seu estado de humor e das suas preferências do que do seu senso de justiça. Por isso nos sentimos tão inseguros quando dependemos delas, pois não temos a mínima idéia de como o assunto será resolvido.
   Por outro lado, sempre queremos que as decisões sejam favoráveis a nós, pois, somos egoístas.
   Como encontrar o equilíbrio nestas situações? Como não perder a paz interior e não ficar estressado? Como não sair machucado, humilhado e frustrado?
         Algumas pessoas acreditam em sua capacidade de manipular a situação ou as pessoas envolvidas; outras, acreditam em sorte, em destino ou em coincidências; outras, ainda, simplesmente se conformam com tudo; mas, há aqueles que reconhecem a soberania de Deus sobre tudo e sobre todos e, por isso, conseguem viver em paz
   O mundo não é! justo. Nunca houve verdadeira justiça sobre a face da Terra, e, creio eu, nunca haverá. Mas, podemos caminhar sem medo, se colocarmos nossas vidas nas mãos de Deus, conscientes que de fato é Ele quem está no comando do universo.
   O verso abaixo, extraído do Livro de Provérbios, nos ensina sobre a Soberania de Deus. Se interiorizarmos este ensino, encontraremos paz e tranqüilidade:
“Como ribeiros de águas,
assim é o coração do rei na mão do Senhor;
este, segundo o seu querer, o inclina”.
(Provérbios 21.1)
   Para facilitar a memorização, podemos resumir este verso da seguinte maneira:
O CORAÇÃO DO REI
ESTÁ NAS MÃOS DE DEUS
!

   Este assunto, a Soberania de Deus, é bastante interessante, porém um pouquinho difícil de compreender, mas, se o dividirmos em duas partes fica mais fácil. Vamos dividí-lo assim:
    - 1a Parte: A Soberania de Deus.
    -
2a Parte: Uma atitude coerente face à Soberania de Deus.

1a PARTE: A SOBERANIA DE DEUS
    Este ensino de Provérbios sobre a Soberania de Deus tem os seguintes elementos:
1. Todo Homem Tem Um Coração     A queda do homem em pecado afetou-o profundamente, mas não o incapacitou completamente às faculdades humanas, como pensar, amar, agir com justiça, entre outras. Poderíamos comparar a condição do homem à de um veículo que capotou e “teve perda total”, mas dispensou o guincho, pois, ainda que precariamente, estava em condições de ir sozinho até o pátio onde será desmanchado.
    Esta é a condição humana atual e compreendê-la é extremamente importante para a compreensão da Soberania de Deus.
   Quando a Bíblia fala em coração, aqui neste texto, não está se referindo àquele órgão que bombeia sangue para o nosso corpo. Está se referindo ao centro das emoções, à sede da vida intelectual e da vontade, à natureza íntima do ser.
    Todo homem tem um coração. Corrompido, é verdade, mas tem. Pode ser um coração de pedra – mas, é um coração! Pode ser um coração insensível – mas, ainda assim é um coração.
    Com o devido incentivo, cada pessoa é capaz de agir corretamente, ainda que uma única vez em toda a sua vida.
 2. Deus Está no Controle
    A Bíblia afirma que “nenhuma folha cai das árvores, nenhum fio de cabelo se desprende de uma cabeça, sem que Deus o saiba”. Isto é controle total, absoluto. Ao contrário do que alguns pensam, Deus não abandonou sua criação à própria sorte. Antes, a sustenta e dirige todas as coisas.
   Não só o coração do rei está nas mãos de Deus, mas, também todo o universo e todos os eventos cósmicos, sociais, políticos, psicológicos, espirituais, enfim... Tudo! Ele é Deus. Esta tarefa pode parecer gigantesca demais aos nossos olhos mortais, mas Deus tira isso de letra, pois,                                           Para Deus, tudo é possível                      
    A compreensão e a firme convicção desta verdade também são essenciais para compreendermos a Soberania de Deus.
3. Deus Inclina os Corações     Nas discussões sobre a Soberania de Deus sempre surge uma questão importante: o Livre Arbítrio. Afinal, se Deus está no controle de todas as coisas, então o homem não tem liberdade de escolha coisa nenhuma!
    Bem, a Bíblia afirma ambas as coisas. Isto significa que a Soberania de Deus e o Livre Arbítrio são duas verdades co-existentes, que não se excluem mutuamente.

    Deus dirige tudo? Sim!
    O homem tem liberdade de escolha? Sim!
   Como conciliar estas duas verdades aparentemente conflitantes? Como Deus consegue estar no controle, sem desrespeitar a vontade humana? O verso de Provérbios nos responde: “Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; este, segundo o seu querer, o inclina”.
    Dificilmente iremos encontrar na natureza um rio que corre em linha reta. O mais comum é os vermos traçando curvas e mais curvas. Isto acontece porque a água sempre procura o caminho mais fácil. Em sua descida, ao encontrar uma pedra, um tronco ou um desnível, imediatamente ela muda de direção, ora para a esquerda, ora para a direita.
    É assim que Ele faz! Quando alguém está preste a tomar decisões que vão contra Seus planos, Deus, através de meios legítimos e santos, literalmente toma o coração do “rei” em Suas mãos e o inclina segundo o Seu querer.
    Ele não vai contra a vontade da pessoa; Ele muda tal vontade, para o bem desta pessoa e de todos os demais envolvidos. Ele age como aquele pai amoroso que tem consciência de que não adianta proibir um filho de fazer uma loucura, mas sabe que, com alguns bons argumentos e uma boa conversa, conseguirá fazer com que ele tome a decisão certa.

    Deus é capaz de incentivar o coração do rei a agir segundo o Seu querer.

2a PARTE: UMA ATITUDE COERENTE FACE À SOBERANIA DE DEUS
1.  Confie na Soberania de Deus     Neste exato momento de sua vida, você está na dependência de alguém para algum assunto importante? Não há motivos para ficar preocupado. Não confie nem desconfie da pessoa que vai tomar a decisão. Por mais duro que seja o coração do “rei” desta situação, Deus é capaz de incentivá-lo a agir corretamente. Confie em Deus, de todo o seu coração, pois é Ele quem está no comando!
2. Seja Humilde
    Este verso do Livro de Provérbio diz que Deus inclina o coração do rei segundo o Seu querer, isto é, segundo o querer de Deus. Isto significa que a decisão que o “rei” tomar será aquele que Deus planejou para esta situação.

    Não fique frustrado nem revoltado se a decisão tomada não for aquela que você esperava. Lembre-se que somos egoístas e sempre iremos querer que as decisões nos sejam favoráveis. Mas, lembre-se também, que Deus planejou o melhor para todo nós.
3. Entregue Tudo nas Mãos de Deus e Viva em Paz
    Esposa, não adianta ficar brigando com seu marido, tentando impor a sua vontade sobre a dele. Deposite o assunto aos pés de Jesus e peça para Deus tomar o coração do “rei” em Suas mãos. Marido, o mesmo vale para você.
    Filhos, não queiram forçar a barra pra cima de seus pais. Antes de pedir ao pai ou à mãe, peça primeiro a Deus e aceita em paz a decisão que seus pais tomarem.
    Pais, não queiram dominar seus filhos. Coloque-os nas mãos de Deus e confie que Ele fará o melhor, da melhor maneira possível.
    Empregado, não adianta arrancar à força uma decisão de seus patrões. Você verá que quando Deus age as coisas fluem naturalmente, como um rio que virou à esquerda porque encontrou uma pedra em seu caminho.
    Amigo, não adianta brigar com seu vizinho. Ele só mudará suas atitudes quando tiver vontade de mudar, portanto, entregue seu vizinho a Deus, que tem o poder para incentivá-lo a agir corretamente com você.
    Vendedor, não queira empurrar sua mercadoria goela abaixo. Entregue o coração dos seus clientes nas mãos de Deus, pois “o coração do rei está nas mãos de Deus”.
  
    Pode ser muito frustrante ficar tentando mudar à força as pessoas ou as circunstâncias. As coisas mudam de fato quando a vontade humana muda. Tudo é infinitamente melhor, mais agradável e mais produtivo quando flui naturalmente.
    Confiemos em Deus, pois é Ele quem está comando! Ele tem o poder e a habilidade para inclinar os rios e os corações para o lado que julgar melhor.
    A cada situação, a cada decisão, elevemos nossos pensamentos ao Pai e oremos:
    “Pai, eu creio em Tua Palavra quando diz que ‘o coração do rei está nas mãos de Deus’. Creio que Tu estás no comando de tudo. Confio em Ti! Coloco mais esta questão em Tuas mãos e aceito com humildade o que vier, pois eu sei que, apesar da decisão ser tomada por homens, será a Tua vontade que estará sendo apresentada a mim. Em nome de Jesus, amém!”.
     Deus seja louvado!
  

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